Selo Obra Mais Segura: a prova externa que poucas construtoras assumem em SC

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Em Santa Catarina, mais de 960 construtoras estão ativas. Apenas 177 obras receberam o selo Obra Mais Segura. O contraste revela uma escolha de cultura, não de oportunidade comercial.

O selo Obra Mais Segura é uma certificação do SESI/SC que avalia canteiros com inspeções sem aviso prévio, conferindo se o padrão real de segurança e saúde do trabalhador é cumprido. Em Santa Catarina, das mais de 960 construtoras ativas, apenas 177 obras carregam esse selo. A proporção conta uma história específica: a maioria das construtoras não escolheu, voluntariamente, submeter o canteiro a uma certificação externa.

Como o programa funciona

O Obra Mais Segura é mantido pelo SESI/SC em parceria com o Seconci, o serviço social da indústria da construção civil. O selo certifica canteiros que atingem dois critérios objetivos simultaneamente: ausência de risco grave ou iminente, e conformidade legal completa em segurança do trabalho. Para chegar lá, a obra precisa receber inspeções periódicas sem aviso prévio, manter documentação revisada de protocolos e formar profissionais do próprio canteiro como agentes internos de segurança, conhecidos como SOMAS, ou Supervisores Obra Mais Segura. A adesão é voluntária, e a certificação é gratuita para a empresa que adere.

Desde o início, o programa atendeu 835 obras, capacitou mais de 2.500 agentes de segurança e realizou 14 mil inspeções em canteiros catarinenses. Mais de 35 mil trabalhadores foram beneficiados diretamente. Em 2024, o projeto recebeu o Prêmio Proteção Brasil, o principal reconhecimento nacional na área de segurança e saúde do trabalho. O Conselho Nacional do SESI avalia hoje a replicação do modelo catarinense para o resto do país.

Por que poucas construtoras escolhem essa rota

A adesão voluntária explica parte do número. Não há obrigação legal, e a operação cotidiana de uma obra continua possível sem o selo. O que muda é a estrutura interna: certificar exige treinar pessoas, manter inspeção contínua, padronizar registros e topar revisão de processo sob a régua de um avaliador externo. A maioria das construtoras prefere operar com o método interno que tem, sem submetê-lo à régua de fora. Em uma indústria que move bilhões e tem cronogramas apertados, escolher inspeção sem aviso prévio é uma decisão de cultura, não de oportunidade comercial.

O que isso muda no canteiro

A diferença prática aparece em três frentes. Para o trabalhador, o canteiro certificado opera com cultura ativa de prevenção: SOMAS treinados, EPIs verificados, plano de emergência testado, registro detalhado de cada incidente, mesmo o que não gera afastamento. O programa em SC mostra redução consistente de acidentes graves nas obras participantes. Para a obra, isso reduz interrupções, paradas por incidente, multas e ações trabalhistas. Para o comprador final, a previsibilidade do cronograma deixa de ser promessa e vira efeito prático: a obra que segue cronograma é, antes de tudo, a obra que não para por imprevisto evitável.

A nova fronteira em maio de 2026

A partir deste mês, o selo Obra Mais Segura passa a incluir critérios de saúde mental dos trabalhadores, alinhado com a NR-1 atualizada que entrou em vigor neste ano. O que era apenas segurança física agora cobre o ciclo inteiro do bem-estar do trabalhador: jornada, exigência de meta, pressão de cronograma, ambiente psicossocial. Empresas que vendem com gatilho de meta e constroem com gatilho de pressão passam a operar fora desse padrão também. Em uma indústria onde afastamentos por transtornos mentais sextuplicaram nos últimos dez anos, ampliar o selo para essa dimensão não é detalhe burocrático. É reposicionamento de padrão.

Como isso aparece na Neoprime

A Neoprime carrega o selo em quase todas as obras em execução. As duas torres do Vancouver Concept em Itapema, o L'Acqua View em Porto Belo, e o Lumina Square em processo de avaliação. O Urban inicia neste mês o ciclo de implementação, processo que leva cerca de três meses até o canteiro estar apto à certificação: tempo necessário para montar estrutura de SOMAS, protocolos e documentação antes da avaliação externa. A repetição vem de operar com o mesmo método em cada nova obra, o que permite recertificação ciclo após ciclo. Para uma incorporadora que constrói há 25 anos no litoral catarinense, fazer da inspeção externa uma rotina é decisão de coerência. O selo serve como prova externa do método, não como mensagem comercial. O método existe antes do discurso, e antes de qualquer obra estar pronta para receber morador.

O que sustenta o canteiro sustenta a entrega

Tranquilidade não se promete. Se constrói. Vale para a relação com o comprador, e vale para a relação com quem mantém o canteiro. Quem compra o empreendimento dorme tranquilo quando confia no método de quem entrega. E quem entrega só confia no resultado quando o canteiro tem prova externa de cuidado. Em uma indústria onde a maioria opera fora desse padrão de certificação, escolher voluntariamente a inspeção sem aviso prévio é o tipo de decisão que define a diferença entre quem entrega e quem aparece.

Perguntas frequentes

O que é o selo Obra Mais Segura?

O selo Obra Mais Segura é uma certificação concedida pelo SESI/SC em parceria com o Seconci a canteiros de obra que atendem dois critérios objetivos: ausência de risco grave ou iminente, e conformidade legal completa em segurança do trabalho. Foi criado em 2022 e até maio de 2026 certificou 177 obras em Santa Catarina.

Quantas obras certificadas existem em Santa Catarina?

Em maio de 2026, 177 obras carregam o selo Obra Mais Segura em Santa Catarina, em um setor com mais de 960 empresas de construção civil ativas. O programa atendeu 835 obras desde o início e capacitou mais de 2.500 agentes internos de segurança (SOMAS).

Como uma construtora obtém o selo Obra Mais Segura?

A adesão é voluntária e gratuita. A construtora precisa receber inspeções periódicas sem aviso prévio do SESI/SC, manter conformidade legal completa em segurança do trabalho, formar profissionais do canteiro como Supervisores Obra Mais Segura (SOMAS) e padronizar registros e protocolos. A avaliação é externa.

A Neoprime tem o selo Obra Mais Segura?

Sim. A Neoprime carrega o selo em quatro empreendimentos: as duas torres do Vancouver Concept em Itapema, o L'Acqua View em Porto Belo, e o Lumina Square em processo de avaliação. O Urban inicia o ciclo de implementação em maio de 2026, com cerca de três meses até estar apto à certificação.

O que muda com a atualização de saúde mental em maio de 2026?

A partir de maio de 2026, o selo Obra Mais Segura passa a incluir critérios de saúde mental dos trabalhadores, alinhado com a NR-1 atualizada. O critério expande para jornada, pressão de cronograma e ambiente psicossocial. Em uma indústria onde afastamentos por transtornos mentais sextuplicaram em dez anos, a ampliação reposiciona o que conta como canteiro seguro.

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